O Início da Idade Adulta e a Busca por um Sentido
- Miguel Silverio
- há 1 dia
- 14 min de leitura
Do ponto de vista legal, atingimos a maioridade aos 18 anos. Nesta idade o estado confere-nos total capacidade de decisão, direitos e deveres. Já não existem atenuantes de sermos novos. Já somos legalmente adultos. Porém, do ponto de vista neurológico, o nosso córtex pré frontal ainda não terminou de se desenvolver, sendo que este desenvolvimento é prolongado até aos 25 anos.
Ainda existe esperança para mudarmos os padrões compulsivos que até à data andamos impulsivamente a repetir. Já temos maturidade cerebral para pensar e refletir. Já não temos desculpas, e as ações que fazemos já têm peso - já não conseguimos fugir à responsabilidade das mesmas. A culpa e o arrependimento começam-se a instalar - as dúvidas, inseguranças e ansiedades também.
Esta é a última oportunidade significativa de fazermos realmente mudanças que irão condicionar o resto da nossa vida. E o que a maioria de nós anda a fazer? Nada. Festas, álcool, drogas e prazes superificiais e monomentanêos.
Não sou nenhum santinho, nem moralista - também já fiz muitos disparates, especialmente nos meus 18 aos 20 anos.
É nesta fase que grande parte dos indivíduos definem quem são, quem querem ser, o que querem fazer e com quem. Também é a fase do pico da nossa vida sexual, onde para alguns é onde verdadeiramente começa, para outros consolidasse - percebemos o que queremos e o que gostamos.
Alguns erros feitos nesta fase vamos levar para a cova, esquecer não é opção, e muitos não podemos apagar. Ser adulto implica assumir a responsabilidade sobre o nosso destino, aceitar o que não podemos mudar, e trabalhar no que podemos mudar.
O fim da Plasticidade Cerebral
A transição para a idade adulta (dos 18 aos 25/29 anos) é frequentemente romantizada como o momento de "começar a vida", a fase em que tudo é possível e o futuro está em aberto. No entanto, do ponto de vista neurobiológico e estrutural, esta etapa marca exatamente o oposto: o encerramento gradual das janelas críticas de plasticidade cerebral. A consolidação do córtex pré-frontal por volta dos vinte e poucos anos não traz apenas a capacidade de planear o futuro; sela também os padrões de resposta que o indivíduo treinou exaustivamente durante a infância e a adolescência. A pergunta central desta fase é implacável: até que ponto conseguimos alterar aquilo em que nos tornámos, ou estamos irremediavelmente condenados a repetir os nossos padrões comportamentais para o resto da vida?
O Que Acontece Nesta Fase: A Neurobiologia da Consolidação
O cérebro elimina as conexões neurais que não foram utilizadas e consolida aquelas que o foram, tornando os circuitos de pensamento, defesa e reação altamente eficientes, mas também rígidos.
O que era maleável do ponto de vista cerebral na infância torna-se agora uma arquitetura fixa. Mudar crenças profundas sobre o mundo e sobre si mesmo deixa de ser um processo orgânico e passa a exigir um esforço cognitivo considerável.
A confrontação direta com as exigências da sobrevivência autónoma (trabalho, sustentabilidade financeira, responsabilidade legal e afetiva) obriga o psiquismo a abandonar as defesas infantis e a confrontar a verdadeira natureza da sua estrutura interna. No entanto, estas novas estratégias são condicionadas pelas da infância.
A partir desta fase já não existe espaço para falhar. Todas as decisões devem ser bem ponderadas e se existe altura para nos “resovermos” é esta. Ainda temos capacidade de mudar padrões comportamentais prejudiciais. Esta é altura para nos compreendermos intimamente, libertarmo-nos da pressão da sociedade, da famiia, e dos suposts amigos.
Dito isto, fiz muitos disparates entre os 18 aos 20 anos,alguns dos quais infelizmente não posso apagar. Também fiz muitas coisas bem feitas e que levo comigo com orgulho. No entanto, é fundamental fazermos as escolhas certas.
Principais Desafios do Adulto Emergente
As defesas sociais que funcionam na escola deixam de ser eficazes no mundo real, gerando crises de identidade agudas quando o indivíduo percebe que as suas estratégias de coping são desadequadas.
Quando a relação platonica que tive durante 3 anos, terminando quando tinha 18 no final do 12º ano escolar, todas as estratégias que durante aqueles 3 anos tinha anadado a construir, desabaram. Acreditei estar a representar da forma certa - a tal figura fria e racional que causava respeito e alguma admiração entre os meus colegas, foi a mesma que se deixou manipular, humilhar e afastar várias pessoas interessantes. Tudo aquilo que eu não queria que se repetisse, apenas voltou se a repetir - isolamento social, melancolia e solidão. Fiquei sozinho, sem amigos, sem namorada e completamente destruturado.
Ao contrário das restantes fases da nossa vida, a partir desta já não conseguimos projetar a responsabilidade para a sociedade, para os pais ou até para os colegas. Sabemos que erramos, fizemos disparates, fomos humilhados, entre outros aspetos, por nossa exclusiva responsabilidade.
Não tinha qualquer dúvida, deixe-me manipular por ter tido a incapacidade de dizer chega. Investi tanto tempo naquela relação, abdiquei de tanto pela mesma, como iria ser incapaz de a perdoar? E perdoei, multiplas vezes - e a que custo? Ao custo da minha sanidade mental.
A transição de amizades utilitárias ou baseadas na convenzionalidade escolar para parcerias e relações de intimidade que espelham, de forma crua, os estilos de vinculação originais. Que não existam dúvidas, as vinculações que formamos nesta fase, a partir dos 18 sensivelmente, são reflexos diretos dos padrões familiares projetados no meio social e nas vinculações que dentro deste temos andado a formar.
Não basta apenas compreender e analisar as relações passadas, o que sentimos, as causas das nossas inseguraças, projeções, erros, entre diversos outros aspetos. É necessário colocar em prática diversas ações concretas para nos protegermos. Porque sim, nesta fase não existe espaço para experiências, temos um futuro pela frente e as relações que formamos nesta fase devem estar alinhadas com o nosso proposito e sentido de vida. Isto no campo do ideial, claro que cometemos muitos disparates até lá chegarmos. No entanto, alguns poderão ser irreversíveis como disse.
Homens e Mulheres na Idade Adulta: Caminhos Divergentes na Rigidez
Embora ambos enfrentam o fecho da plasticidade cerebral, a expressão dos conflitos e a forma como a sociedade e a biologia moldam esta fase divergem significativamente:
Os homens são socializados para a contenção emocional e para a validação através da competência e do estatuto, os homens tendem a cristalizar em defesas de hiper-autonomia, intelectualização e evitação da vulnerabilidade. O desafio nesta fase é quebrar o isolamento afetivo antes que a rigidez se transforme em amargura crónica ou incapacidade de estabelecer laços profundos.
Quebrar a angústia de mágoas passadas fazendo a paz concnosnco próprios é fundamental para o desenvilvuimento saudável de um homem. Enquanto homem compreendo que vivamos na ilusão que as mulheres são superficiais, interesseiras, com falta de pudor, desleais e todas aquelas barbaridades que atualmente somos bombardeados, tanto pelas redes sociais, como pelos nossos pares. Muitos de nós, como foi o meu caso, conhecemos e nos envolvemos com várias mulheres que se encaixam nessas categorias todas. A questão que faço a nós homens é a seguinte: até que ponto isso não diz mais de nós do que delas? Porque vejamos, pessoas com valores desalinhados aos nossos irão sempre existir. Porém, porque acabamos com as mesmas sucessivamente? Por azar? Se quiser chutar a responsabilidade para o universo, força nisso. A realidade é que o seu padrão veio preencher algo, quebrâ-lo levará-o a encontrar mulheres que se alinham aos seus valores. Mas para tal tem também que estar alinhado com os mesmos.
Quantos homens observamos a proclamar que querem uma mulher com pudor, que não procure atenção doutros homens, fiel, que se respeite, porém são os primeiros a se desrespeitar e a ir para ambientes procurar atenção e prazer rápido? E que perdem tempos a alimentar essas tais mulheres superficiais apenas para receber um restício de atenção?
As mulheres frequentemente confrontadas com uma maturação social e emocional precoce, entram na idade adulta já a carregar o peso da hiper-responsabilidade relacional e da gestão do cuidado. O desafio centra-se na desconstrução da necessidade de validação externa e na aprendizagem de impor limites, saindo do papel de cuidadoras crónicas para o resgate do próprio self.
O que podemos fazer?
O cérebro adulto não muda por mero desejo ou força de vontade superficial; muda através da interrupção consciente de padrões.
Mapeamento Consciente dos Guiões (Awareness): Identificar os momentos de repetição compulsiva — aquelas situações em que reagimos em piloto automático da infância (raiva, fuga, submissão) — e registar o padrão sem julgamento.
Procuramos o nosso reflexo, e é nesse relfexo que podemos extrair muitas informações sobre nós. Analisar relações passadas ou eventos angustiantes é sempre um desafio.
Para fins de exemplo, irei explorar com o leitor esta relação com Ana, a tal relação platonica que tenho vindo a descrever.
O primeiro aspeto que temos que compreender é como foi a dinâmica de poder da relação. Em todas as relações desempenhamos um papel na relação, sendo que nas relações saudáveis e equilibradas existe equilibrio de poder ao longo do tempo - onde ambos se sentem confortáveis, quando necessário, a deixar o outro cuidar e proteger. Por vezes a mulher necessita de apoio e cuidado. Outras vezes é o homem. O balanço destas fases é fundamental. Homens que não se sentem confortáveis em ser vulneráveis estão a tentar compensar algo, e vice-versa, por exemplo.
A minha relação com a Ana era pautada por duas grandes assimetrias entre a razão e a emoção. Do ponto de vista racional eu era uma figura calma e estável. Ouvi-a, fazia-a se sentir escutada. Validava os seus sentimentos e ajudava-a a sentir-se compreendia e a entender o que sentia. Delinevamos juntos estrátegias para ela melhorar o seu bem-estar, desde o ponto de vista acadêmico, intelectual e emocional. Ela estava a passar uma fase mais sensível na sua vida, e era natural que eu estando mais estável que ela, gostando e preocupando-me com Ana a iria apoiar.
Ajudar o nosso parceiro não significa que a relação está desequilibrada. Porém se o parceiro precisar de ser ajudado constantemente algo está errado. Procurar o outro para apoio ou conselhos é natural. Fases difíceis estarmos mais dependentes do parceiro, também é natural. O que não é saudável é não exitir reciprocidade e respeito. A Ana fazia o que queria quando queria. Alternava entre eu ser a melhor pessoa da sua vida, para ser alguém que deve ser desprezado e repudiado. A Ana tinha, no entanto, uma sensibilidade emocional muito apurada - sabia o que dizer, e o que fazer, para obter a minha atenção de volta. Ficava genuinamente chateado pelos seus comportamentos, os deprezos e alguns desrespeitos. No final do dia ela tinha verdadeiramente o poder sobre a relação. E quando não tinha, não desistia até voltar a tê-lo.
Está identificado a dinâmica de poder. O que fazer a seguir? Compreender o que esteve a preencher.
Acreditava que a relação era equilibrada, exatamente pelo facto de eu ser o mais estável e racional. O meu refúgio na razão foi uma forma de me tentar proteger de ser tão sensivel. A razão não existe sem emoção. De qualquer das formas, a razão dá-nos a ilusao de controlo sobre as nossas emoções. Ao racionalizarmos o que sentimos, ou o que terceiros sentem, acreditamos conseguir formar padrões, chegar a conclusões e conseguir fazer previsões. Essas previsões dão-nos um guia prático de como agir na selva emocional que é as relações e a ambiguidade do parceiro - sendo que este é imprevisivel aos nossos olhos. Quanto mais procuramos fugir e controlar algo, mais esse algo nos controla e assombra. A Ana compreendeu rapidamente que por detrás de toda aquela rotina e disciplina estava um homem que ansiava por sentir. E ela percebeu rapidamente que ela tinha a capacidade de me tornar irracional. A razão é uma tentativa de domar o comportamente impulsivo/emocional. Quão mais intensa é uma sensação, mais dificil será geri-la e controlá-la. infortúnios do dia a dia, ansias e inseguranças podem ser facilmente geriveis. Porém o amor não é algo que se pensa, é algo que se pensa. Só somos livres em amar, se estivermos livre do peso do passado. E eu não estava. A Alexandra, a minha primeira namorada, marcou-me durante todos aqueles anos. Tive diversas relações, mas voltava sempre a ela. E não tinha contró-lo sobre isso. Deixou de ser reciproco, mas voltava sempre lá. Não queria de novo aquela sensação de rejeição, aquele descontrole que é amar. O largar tudo e correr para os braços de quem amava. Não queria outra Alexandra. Porém, era o que realmente ansiava. Ansiava amar e ser amado, como todos nós.Mas foi essa negação que me deixou à mercê de ser controlado porquem sabia que tinha esse poder - Ana, sendo ela a fonte de quem amava e me sentia amado. Amar é um processo de dar e receber. Quando amamos temos o impulso de dar. Numa dinâmica disfuncional que era o caso, existe um lado que controla quando recebemos e quando damos amor. E ela soube melhor que ninguém jogar esse jogom (enfatizando que ela não era uma pessoa cruel, no caso dela, o medo de abandono, juntamente com o pânico em se apegar, condicinou todos estes seus impulsos). E como ela controlava? Pela ambiguidade. Tornava o seu comportamento o mais ambiguo possível. De forma a fazer-me decifrá-lo incessantemente. E como não tinha a necessidade de ter outras relações, tinha muito tempo livre para o fazer.
O segundo passo é compreender as nossas reações mais intensas e identificar estratégias de manipulação e sedução subliminares. Existem determinadas alturas que subitamente reagimos de forma excessiva, seja choro, agressividade ou até excesso de euforia. No meu caso, eu ficava o mais irracional quando ela me fazua sentir único, especial e alvo da sua admiração. Essa validação fazia-me baixar completamente as minhas defesas e fazia com que lhe desse o que ela desejasse.
Cresci a sentir-me desrespeitado e humilhado durante grande parte da minha infância e adolescencia. Estava numa fase onde não queria que ninguém entrasse na minha fortaleza, não queria me sentir vulneravel, queria respeito e admiração. O respeito visava não me sentir humilhado. A admiração permitia-me ditar as regras das interações. A Ana sabia perfeitamente que por de trás disso estava o desejo de me sentir compreendido e amado. E ela soube me dar exatamente isso. e garantir que apenas ela o dava. Fazer-me sentir admirado por ela visava me dar a sensação de eu a acrescentar, de alguma forma ela precisar de mim. Se nos sentirmos descartaveis, não nos sentimos conofrtáveis para amar e investir afetivamente. Ela soube me dar isso. A estratégia foi clara. Elevar o ideal de lealdade a ago divino para a sua vida. E projetou em mim essa represetação. Ao compreender que ela cravava por ter isso na sua vida, juntamente com o facto de tal se alinhar aos meus valores, dei-lhe exatamente isso - lealdade e exclusividade. O meu erro foi ter sido excessivo, e deixá-la condicionar-me ao mesmo.
O parceiro romantico não é a unica fonte de esse desejo universal de queremos ser amados e admirados. Os amigos, a família e até os colegas podem e devem preencher à sua maneira esse desejo nas nossas vidas. O isolamento e foco excessivo num parceiro leva a estarmos vulneraveis a uma dependencia no mesmo desse desejo primitivo. As mágoas que carregava dos longos anos de isolamento e humilhação, juntamente com um grande desgosto amoroso, levou-me imaturamente a isolar-me excessivamente. Tal deixou-me vulnerável a ser manipulado. E foi o que aconteceu. Aprender a identificar as nossas vulnerabilidades e contextos onde estamos inseridos permite-nos delinear estrategias para mitigar a possibilidade de sermos manipulados sem nos apercebemos.
Por fim, identificar o que o parceiro está a preencher na nossa vida. Uma relação visa sempre algo. Seja companhia, seja desejo de ser cuidado, seja querer uma familiar, o que for, mas algo está a preencher ou a acrescentar. O problema não está em amar, mas em como amamos e por quem amamos.
Apenas após longas reflexões após o término desta relação é que comecei a compreender o que é que eu procurava e o que é que me estava a preencher. Porque eu não era parvo, sabia a dinâmica onde estava envolvido, sabia das manipulações e do desrespeito. Mas porque é que os bons momentos eram tão intensos ao ponto de apagar o óbvio? Aquilo que estava a sentir, e o meu padrão comportamental, estava-me a preencher algo. Esse era o meu sentido e propósito. E qual é então o meu sentido e propósito, pelo menos o que conclui nesta altura ? Amar a minha mulher. Ao analisar para trás, nesta altura compreendi que com a Alexandra acreditei que o sentido era ela. Com a Ana acreditei que seria a relação - o Nós. E só mais tarde, na última relação que tive, no seu término, compreendi que o sentido era a família e os filhos, especialmente os filhos.
Todo o sentido e proposito visa uma coisa - tornar o sofrimento de viver suportável. A vida não foi feita para sermos felizes, foi feita sim de sofrimento e, portanto, para que o sofrimento se torne suportável temos que ter algo na vida que nos dê sentido e propósito.
O verdadeiro desafio quando nos tornamos adultos é percdeber qual o nosso sentido e prórpósito. E aceitar que errar, mais vergonhoso e humilhante que seja por vezes, tem como finalidade fazermos compreender qual é afinal esse sentido. Compreender que a mudança na idade adulta não apaga o passado; constroi camadas novas por cima das antigas. O objetivo não é apagar quem fomos, mas sim compreendermos quem somos e quem queremos ser.
Eu quero ser o pai e o marido.
E o que é que compreender qual o nosso propósito na vida muda concretamente o nosso presente?
Tinha claramente uma compulsão por um determinado tipo de mulher - caótica, hipersensível, estupidamente sedutora e atranente, inteligente e madura. Sou hipersensível, e durante toda a minha vida fui sucessivamente humilhado por o ser. Aprendi a escondê-lo e a representar. Porém, no final do dia, queremos todos nos sentir amados e validados. Sendo assim, é natural ter-me indetificado com mulheres com uma sensibilidade tão intensa quanto a minha. Porém, senti-me também bastante rejeitado ao longo dos anos. Enquanto crinça e adolescente era excluido, rejeitado e humilhado.
A sensibilidade nada mais é do que uma maioir permeabilidade na receção e processamento de estímulos do meio. Se essa sensibilidade vier com um grau elevado de inteligência, leva esse indivíduo a desenvolver uma maturidade superior aos pares. Essa maturidade tende a vir com um custo - maior grau de sofrimento. Cresci num ambiente saudável, com vinculações seguras e estáveis em casa. Fora dela não foi isso que encontrei. As dinamicas familiares caoticas são a fonte mais primitia das dinâmicas disfuncionais que vemos no meio social. Sendo assim, mulheres com este historico familiar mais cacotico, sentiram-se compreendidas por mim. O paralelo entre a disfuncionalidade no seio familiar e no meio social existe. Houve uma projeção do vazio sentindo em casa na dinâmica comigo do lado da Ana, por exemplo. E por sua vez, eu porjetei o meu desejo de me sentir amado. reconhecido e válido nela. Isto tinha tudo para dar errado. Porque ela seria incapaz de preencher as feridas que tinha por sarar, e eu as que ela tinha. Uma relação saudável assenta no acrescento de valor, e não no preenchimento de vazios.
Compreender o nosso propósito permite-nos avaliar todas as nossas decisões com base no mesmo. Claramente a relação com a Ana, por mais excitante que fosse, era incapaz de preencher o meu propósito - a relação não iria ter futuro assente naquelas bases. Ela tinha potencial para ser a mãe dos meus filhos? Claro - apesar que nem pensava nisso nessa altura. E portanto, não me arrependo de ter tentado ajudá-la. Porém eu também precisava de ser ajudado e de me ajudar. E ela não me deu abertura para ser vulnbeável e, muito menos para me ajudar. A família que procuro implica uma relação equilibrada e recirpoca com a minha mulher. Houve tempo suficiente para eu identificar que essa não seria a dinâmica e hoje, naturalmente, teria seguido em frente bastante mais cedo.
Desapegar do passado faz-se através da gratidão e não com o ressentimento. Não sinto qualquer rancor por tudo o que vivi com a Ana, por exemplo, pelo contrário, admiro a mulher que ela se tornou e fico grato por ela ter feito parte da minha vida, caso contrário não teria compreendido tanto de mim próprio - e tal só foi possível devido ao sofrimento que senti que desencadeou todas as dúvidas e incertezas na minha mente.
Fiz as pazes com o facto de não ter conseguido reconquistar a Alexandra, a minha primeira amiga e namorada. Se tivesse destinado para ela um dia ser a minha mulher e mãe dos meus filhos, teria sido. Hoje considero-me seu amigo e nutro um profundo carinho por ela. Sinceramente foi a mulher mais especial que conheci.
Compreender não é justificar. Gratidão não é sinal de submissão. Seguir em frente não é aceitar passivamente o que aconteceu, é integrar na nossa vida o mesmo e desenvolver nossas estratégias para o futuro.
No início da vida adulta começa e acaba o destino das nossas vidas. É altura para lutar pelo nosso sentido de vida.
Fontes Científicas:
Arnett, J. J. (2014). Emerging Adulthood: The Winding Road from the Late Teens Through the Twenties. Oxford University Press. (A obra seminal que define e caracteriza psicologicamente a fase do adulto emergente).
Gogtay, N., et al. (2004). Dynamic mapping of human cortical development during childhood through early adulthood. Proceedings of the National Academy of Sciences. (Evidência neurobiológica rigorosa sobre o cronograma de maturação e encerramento das janelas corticais).
Schore, A. N. (2003). Affect Dysregulation and Disorders of the Self. W. W. Norton & Company. (Fundamental para compreender a persistência dos modelos de vinculação precoce e a dificuldade de alteração estrutural na idade adulta).
Linehan, M. M. (1993). Cognitive-Behavioral Treatment of Borderline Personality Disorder. Guilford Press. (Abordagem prática sobre neuroplasticidade tardia, regulação emocional e alteração de padrões comportamentais enraizados).




Comentários