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Só és Amado sob a Condição de Prover" — O Fardo Invisível do Sofrimento Masculino.

Vivemos numa sociedade regida por ideais hipócritas. No fundo, as pessoas são ignorantes, egocêntricas, e contraditórias. Umas por pura estupidez, mas não são poucas as que o são intencionalmente. Entre os inúmeros movimentos feministas que prezam pelos direitos iguais, e que, no fundo, pela premissa que homens e mulheres são iguais - não obstante na prática, apenas intensificam a clivagem. Mas não, homens e mulheres não são iguais. Não o são nem biologicamente, nem muito menos do ponto de vista cultural e social. E não são iguais porque os indivíduos não são iguais. Se duas pessoas são distintas, como enquanto sexo, poderiamos ser iguais? Culpar a discrepância a um alegado sistema repressor, sexista e patriarcal é de uma pura hipocrisia estrutural patética e cómica. 


 Sinceramente estou cansado dos discursos de vitimização coletiva. São todos vítimas, menos o homem branco, rico, heterossexual? Portanto, o homem branco, heterossexual é o repressor máximo? E depois fica a questão, quem define a hierarquia de repressão? Entre dois indivíduos, por exemplo, homessexuais. Um é um homem negro de classe baixa, o outro é uma mulher rica branca, quem reprime quem? Por um lado, homens reprimem mulheres, logo este homem é opressor desta mulher. Mas ele é negro e ela branca. Logo ela reprime ele. Mas ambos são homossexuais, logo ambos são vítimas. Ele por ser negro, pobre e homesseuxal. Ela por ser mulher e homossexual. Será que estes movimentos param para pensar no ridículo que isto soa? Sem falar se no meio disto misturarmos pronomes, veganismo, e sei lá mais o quê à mistura.


 Todos estes aspetos são importantes de ser discutidos, debatidos e olhados com um olhar crítico. Mulheres foram reprimidas socialmente ao longo dos anos? Claro, são factos históricos. Pessoas negras também. Homessuxuais também. Existem pessoas que sofrem de uma doença chamada de disforia de gênero - DSM V - e se identificam com um sexo distinto daquele que nasceram ? Claro, eles devem ter o devido tratamento e atenção clínica. E até compreendo que sejam tratadas por pronomes neutros, isto é, sem categorização binária os faça sentir mais compreendidos. 


 Dito isto, vamos falar do mito da insensibilidade masculina? E da hipocrisia que rodeia esse tema? Enquanto homem tenho lugar de fala, como se diz nos dias de hoje. E não, não acredito que os homens sejam vítimas. Na prática, o mundo real é uma arena, e ou sabemos sobreviver, ou nos resignamos e desistimos. 


Já deixei uma grande parte dos leitores revoltados, podemos agora referir factos e opiniões concretas? Ao contrário de grande maioria dessas narrativas, as minha são concretamente sustentadas por factos, podendo mesmos assim estarem erradas. Curioso não é? Então imaginemos as barbaridades que a maioria se põe para ai a mandar para o ar. 


Introdução feita, vamos lá ao primeiro ponto. 


Os homens não são insensíveis. Apenas foram condicionados a demonstrá-lo. 


Existem diferenças hormonais como todos sabemos entre homens e mulheres. No clássico, os homens têm mais testosterona, o que leva-os a ser mais dominantes. E as mulheres têm mais estrogênio, o que as leva a serem mais emocionais.

 Tudo isso é verdade, mas ao mesmo tempo, é falacioso. Não existem pessoas insensíveis. Até porque sem emoções não existe consciência. Os sentimentos são uma tradução consciente do impacto das emoções em nós próprios. Academos o mundo através dos nossos sentimentos. Logo, pessoas insensíveis, ou não estariam vivas, ou pelo menos, não estariam conscientes. 

 Ou seja, quando falamos em insensibilidade, fala-se da exteriorização de sentir para os outros. A falácia é acharmos que por alguém aparentar sentir menos, seja porque efetivamente sente menos. Não é verdade. Apenas escolhe, ou foi condicionado, a esconder o que sente. 

 Os homens são peritos a esconder o que sentem. Quanto melhor escondem, mais recompensados foram pela sociedade ao crescerem. Esta máscara também tem algumas bases biológicas e não apenas culturais. 

 A hipocrisia surge quando o homem é visto como agressivo e opressor, mas se quebrar esta fortaleza da sua insensibilidade, é humilhado pela sociedade. 


As mulheres exigem vulnerabilidade dos homens, apenas para a rejeitarem de seguida. 


O discurso das mulheres é unânime,  exigem homens "emocionalmente abertos, sensíveis e vulneráveis" e a sua reação instintiva e comportamental na prática é de quando os homens o demonstram, rejeitarem o mesmo e, até, humilharem este. 

 Do ponto de vista racional não tenho dúvida que as mulheres valorizem a ideia de um homem que demonstre a sua sensibilidade, porém o seu instinto biológico, e o seu sistema límbico (emocional) que preza instintivamente pelo seu desejo sexual e sensação de segurança, interpreta a demonstração afetiva do homem como fragilidade emocional, especialmente se esta expressividade não for algo pontual, mas sim algo do feitio do homem, como um sinal de alarme - perda da capacidade de a proteger, da sua força e vigor e até capacidade de liderança (estatuto social). 


Devido a esta pressão que os homens são submetidos nos dias de hoje, a experiência que têm tende a ser a mesma.  Ao ceder a esta  pressão social e se mostrar genuinamente frágil ou desamparado, a reação imediata do elemento feminino é, frequentemente, o afastamento emocional, a perda de atração sexual (desinvestimento erótico) e, em casos limite, o desprezo inconsciente ou até a humilhação intencional. 



Em casa nunca senti qualquer pressão para “ser homem”. Tive total liberdade de expressar o que sentia, chorar quando estava triste, expressar aquilo que sentia de forma saudável - desde a felicidade até à melancolia. Sentia-me livre para ser eu próprio. 

Fora de casa a realidade não era essa. Por algum motivo não podia ser sensível, e muito menos demonstrar qualquer fragilidade ou vulnerabilidade. Porque quando o fazia, as pessoas garantiam que o exploravam até ao final. Recordo-me perfeitamente de ser humilhado por ser sensível. A minha timidez foi explorada para obterem uma satisfação sádica. A minha educadora, anos mais tarde, dizia-me que as crianças não têm malícia ou consciência do que fazem. A verdade é que têm tanto como os adultos, a diferença é que não são repreendidas porque são “apenas crianças”. Quer conhecer a verdadeira natureza humana? Observe as crianças.  

 Rapidamente compreendi que a bolha que vivia dentro de casa não correspondia ao ambiente social real. Aos poucos fui aprendendo a me esconder e a me proteger. Porém, no que toca ao amor continuava a ser ingênuo. Acreditava que quando amamos alguém e, por sua vez, somos amados de volta, podemos expressar aquilo que sentimos e o que somos. 

Aos 13 anos conheci a, vamos lhe chamar de, Alexandra. A Alexandra apaixonou-se, dentro do que seria possível nesta idade, pela minha sensibilidade. Ela valorizava o facto de ser carinhoso para ela. Tratava-a como uma “princesa” como dizia-me. E verdade seja dita, sentia-me compreendido e feliz de pelo menos com ela poder ser eu próprio. 

Porém quando chegaram as discussões ela atirou-me à cara várias vezes que eu não era “homem o suficiente”. Quando chorava dizia para me “fazer homem”. O “faz-te homem” até hoje ressoa na minha cabeça. Assumo que esta experiência  foi traumática na medida de que não tinha a capacidade de compreender porque ela aparentava desejar uma coisa, mas reagiu no seu oposto.

 Depois desta relação surgiram várias outras onde quanto era insensível e frio, era bastante valorizado. Porém, quando me começava a apegar e a desenvolver sentimentos, se me abrisse e me mostrasse vulnerável, esta valorização e atração claras sentidas por mim, desvaneceram. E passava a ter a “ideia errada da relação”. 


Como a educação molda a expressividade emocional masculina?


A forma como as pessoas expressam as suas emoções é algo apreendido pelo meio e contexto onde nasceram. Sendo a existência de diferenças culturais claras entre homens e mulheres mais que documentada e estudada. 


O exemplo claro, é o choro. Uma rapariga quando chora ativa mecanismos instintivos no meio que a rodeia - obtém consolo e proteção. Num rapaz é ativado mecanismos de desprezo, vergonha e até rejeição parental. Os rapazes aprendem muito cedo que demonstrar fragilidade resulta em isolamento e perda de estatuto social. 

Como o medo e a vulnerabilidade masculina são desincentivados, a forma tolerável de um rapaz se expressar é através da raiva ou da agressividade - estas são vistas como legítimas formas do rapaz expressar a sua frustração interna. 


Em adultos, a raiva e a agressividade continuam a ser os mecanismos que muitos homens usam de forma, mais ou menos, inconsciente para expressar o seu sofrimento - o que é mal interpretado pelo meio e, muitas das vezes, desprezado. 


Os homens são tão sensíveis quanto as mulheres, então porque choram menos?


Os estudos demonstram consistentemente que homens choram substancialmente menos que as mulheres, fenômeno este causado tanto por questões hormonais (testosterona elevada como inibidor biológico do limiar do choro) como sociais. 

 Quando falamos de diferenças entre homens e mulheres temos que compreender que estamos sempre a falar em médias. O indivíduo é único. Podemos pressupor que por ser homem o sujeito que desconhecemos chorará menos, porém poderá ser o contrário. Podemos estar perante um homem que chora mais do que uma mulher. 

 Outra falácia é a ideia que o choro é o reflexo máximo da expressão de sofrimento. Chorar visa enviar uma mensagem ao meio de que determinado indivíduo está fragilizado e necessita de proteção. Porém muito sofrimento, na sua maioria diria, especialmente o dos homens, é internalizado. Sentimentos internalizados tendem a ser os mais intensos e voláteis. 

 As razões sociais que levam os homens a chorar menos já foram discutidas, sendo a perversão e julgamento por parte da sociedade, especialmente da ala feminina, ao choro masculino - rejeição, desprezo e humilhação. Como o choro ou o desespero extremo quebram o Efeito de Halo da segurança masculina, levando parceiras e pares a lerem o indivíduo como fraco ou incompetente, destruindo a atração sexual e o respeito hierárquico.

 Uma reação automática das mulheres é a ideia de que o homem por ser frio é competente, inteligente e tem capacidade de as proteger, e após uma quebra, passa a ser o seu oposto. Sabemos que a integração emocional reflete verdadeiramente uma estabilidade emocional o que potencializa todas essas características que as mulheres tanto procuram. 


Durante 3 anos tive uma relação platônica com uma mulher que era minha colega de turma. Tínhamos 16 anos quando nos conhecemos.  Após quase os 3 anos que estivemos nesta dinâmica platônica, onde ela me via como um homem que lhe respeitava, trazia conforto e segurança, bastou um instante de fragilidade onde chorei diante dela para quebrar toda essa imagem que verdadeiramente não era falsa, apenas não era completa. 


Como os homens sofrem: A depressão masculina oculta


Os homens também sofrem mas ninguém quer saber - nem os próprios homens. Como os homens não são educados a integrar e compreender as suas emoções, confundem a sua raiva com sofrimento, refugiam-se na impulsividade e adrenalina como escape para o seu sofrimento, o que apenas agrava o seu estado gera melancolia - levando por vezes ao suicidio. A maioria dos suicídios são cometidos por homens. 


Do ponto de vista clínico, os critérios de diagnósticos dos manuais, como DSM, falham ao procurar melancolia ou apatia passiva no homem, ignorando que o sofrimento masculino se expressa pela externalização. 

 Os sintomas clássicos de sofrimento masculino são irritabilidade e reatividade severa e prevalecente. Traços ou comportamentos obsessivos, seja o abuso de substâncias como o álcool ou drogas, ou até o trabalho compulsivo ou até ginásio e vícios digitais. Por fim, comportamentos de alto risco. Tudo isto são formas de escoar a tensão e o sofrimento psíquico. 

Os homens para reprimir o seu sofrimento tentam-se manter funcionais e úteis. Os homens aprendem muito cedo que o seu valor está diretamente indexado à utilidade que tem para os outros. Numa relação amorosa, o homem é amado enquanto conseguir providenciar. As exceções a esta dinâmica normalmente visam a preencher outras necessidades da parceira, tendencialmente baixa autoestima que apaziguada por uma sensação de controle de um parceiro fragilizado, esta inversão do poder, dá prazer a muitas mulheres. 


O homem é afinal feito para proteger, providenciar e cuidar?


A testosterona, a densidade muscular e o isolamento neurológico do medo como ferramentas ecológicas esculpidas pela seleção natural. O homem foi feito para ser a barreira entre a ameaça e os vulneráveis; hesitar ou vacilar significava a extinção da linhagem.

A biologia opera em curvas de distribuição. Nem todos os homens nascem com os traços necessários de resiliência, dominância ou baixa ansiedade para carregar o peso de uma estrutura familiar ou financeira. Logo, ao ser projetado constantemente este ideal em homens que não foram programados para o mesmo, leva-os a desenvolver transtornos psicológicos. 

O inferno psicológico do homem com traços de maior sensibilidade ou neuroticismo que é obrigado a representar o papel de pilar indestrutível. O sofrimento gerado pela vergonha crônica de não ser o "homem" que a sociedade espera.


Em suma, sim existe uma biologia que sustenta a ideia de que o homem é feito para proteger e cuidar. Porém nem todos o são. E esses sentem-se excluídos e oprimidos por uma sociedade hipócrita que alega que valoriza a sua sensibilidade.


Quem é responsável pela repressão emocional masculina?


 Do ponto de vista evolutivo, existe uma exigência biológica incentivar os homens a terem a capacidade de proteger a tribo e não quebrarem emocionalmente em cenários de stress agudo. É natural compreender que se a proteção da tribo dependia dos homens, estes são incentivados a ser resilientes tanto pela sua química, como pela tribo.  


Nos dias de hoje, no que toca ao mercado romântico, o paradoxo de exigir verbalmente vulnerabilidade e sensibilidade dos homens, mas inconscientemente puni-la através da perda do desejo sexual e afetivo. 


Por fim, os homens entre eles monitoram constantemente a sua posição hierárquica entre os seus pares. Qualquer fraqueza exposta por um elemento masculino é usada pelos seus rivais para rebaixar o estatuto desse indivíduo dentro do grupo. 




Suícido masculino


Tentativa de suicidio, e suicidio podem ser coisas distintas. Muitas vezes os comportamentos autolesivos podem ter a função de chamar a atenção de uma sociedade que até então ignorou o sofrimento deste indivíduo. Colocou-se sempre a questão se é responsabilidade ou não da sociedade ajudar no sofrimento dos seus indivíduos. Mas para este efeito, vamos assumir que sim. Estes comportamentos também podem ser formas de manipular terceiros - não significando que o que está por de trás não é um sofrimento insuportável. 

 As tentativas de suicidio podem seguir a mesma lógica. Independentemente da intenção por detrás, significa necessariamente a existência de um distúrbio causado por um sofrimento insuportável. 

 O suicidio não ocorre isolado, de forma imprevisível e aleatória. Antes de alguém se suicidar, muitas foram os sinais que o indivíduo tentou expressar aos que o rodeavam. E estes o ignoraram por ignorância ou desprezo. 

 As mulheres têm maior oportunidade em chamar a atenção de forma desesperada pois, desde o choro em criança, tem muito mais meios e atenção do meio para as ajudar. Já os homens, por terem sido constantemente reprimidos, quando o demonstram desesperadamente já se encontram num estado muito mais agravado. Levando, infelizmente, a efetuarem o sofrimento com sucesso.   


O homem não sinaliza tanto a dor através de pedidos de ajuda; ele oculta-a enquanto tenta manter o seu valor de utilidade. Quando o sistema colapsa, ele recorre a métodos violentos, letais e definitivos.


Todos na vida tivemos momentos em que o nosso chão colapsou. Sentimo-nos desesperados e desamparados. 

 Passei uma grande parte da minha adolescência a acompanhar amigas ou parceiras no seu sofrimento. Onde, por vezes, bastou reconfortá-las, fazê-las sentirem-se seguras, ouvidas e validadas emocionalmente para restabelecerem a sua estabilidade emocional, para outros casos onde as urgências hospitalares até o internamento psiquiátrico foram o único recurso eficiente. Isto para dizer que sei como o nosso sistema de saúde lida com o sofrimento feminino - desde já, de forma ineficiente e caótica. 

Porém, nunca imaginei que em contexto clínico existisse discriminação sexual na atenção dada a homens face às mulheres. Em contexto escolar, estando numa turma com apenas 4 

rapazes face a cerca de 25 raparigas, facilmente se observou uma clivagem. Agora em contexto hospitalar? Essa foi nova para mim. 

 Em determinado momento da minha vida encontrei-me bastante mal. Numa altura onde estava tudo a desabar se à minha volta. Encontrava-me isolado. Propriamente sem vinculações ou amizades. Encontrei-me num momento de caos e desespero e num determinado dia decidi recorrer às urgências hospitalares. Não estava à procura de nada propriamente, apenas que aquilo que estava a sentir fosse minimamente tomado em conta.

Como referi, já passei muitas tardes ou noites em hospitais, conheci de perto todo o processo, desde a triagem ao internamento em casos graves. Já cheguei a ir lá com uma parceira por menos do que o que estava a exteriorizar naquele dia. E para minha surpresa, nem no hospital pude permanecer, sendo relegado para o centro de saúde. Felizmente, ainda tinha as minhas ferramentas emocionais, e permaneci sentado na sala de espera até me sentir calmo e fui para casa. Apercebi-me naquele dia o quão errado estava o nosso sistema de saúde mental no que tocava à saúde mental masculina. 

 Felizmente aquilo que eu tinha era passageiro. E apenas me fez compreender o quão isolados e desesperados muitos homens se devem sentir. 


Se querem ajudar os homens, procurem querer saber minimamente dos pequenos mas óbvios sinais de sofrimento que estes exteriorizam. E o meu conselho para os homens, não procuram se expor socialmente, procurem ajuda profissional fora do contexto hospitalar. Felizmente ainda existem muitos profissionais preocupados e com competência clínica para vos ajudar. E talvez comecem a aceitar a ideia que ninguém vos vai salvar se, em primeiro lugar, não se salvarem a vocês próprios. 


A aceitação da sensibilidade masculina e a sua devida integração 


O valor social do homem continua intrinsecamente ligado à sua utilidade e capacidade de resolver problemas, providenciar, proteger e cuidar. Isso é um facto e não vai mudar. O que pode mudar é a forma como os homens enquanto indivíduos lidam com as suas emoções. Escondê-las da sociedade não é um problema. Problema é escondê-las de si próprias. As mulheres aprendem a lidar e aceitar as suas emoções, porém não aprendem a se proteger delas. Estando normalmente demasiado expostas, onde o meio se aproveita e explora. Já os homens, aprendem a reprimir as suas emoções e a escondê-las, porém como não aprenderam a lidar com elas e a compreendê-las, acabam consumidos por aquilo que tanto se esforçaram por esconder, tornando-se mais vulneráveis e emocionais que as próprias mulheres. 


Numa sociedade que tenta fazer os homens se sentirem como os opressores, onde são constantemente pressionados a reprimir a sua natureza, torna-se crucial compreenderem os seus impulsos biológicos. Acima disso, compreenderem-se. Aprenderem, até do ponto de vista acadêmico, o que são emoções, o que sentem e como lidarem com o que sentem. Aprendam a canalizar de forma saudável os seus sentimentos. Aprender a baixar a cabeça quando as circunstâncias o implicam - não sentido que com isso estão a ser submissos. 


Ser homem também tem o seu aspecto belo. Cuidar e amar a família, os filhos e a mulher, nada é mais digno e bonito do que isso. Antes de podermos cuidar e amar a família, temos que nos cuidar, amar e proteger. Os homens não tem que lidar com os seus problemas sozinhos, apenas tem que ter a maturidade para caso seja necessário fazê-lo - amar, implica sacrifício. 

Não existe uma guerra verdadeiramente entre homens e mulheres. Um casal forma uma aliança, para além dos nossos papeis biológicos, está o nosso valor enquanto indivíduos. A biologia não dita o equilíbrio prático da relação. Numa relação saudável, ambos se amam e protegem. O homem não está acima da mulher, porque numa relação, deixa de existir o indivíduo, para existir o cônjuge. Trata-se de algo para além da soma das partes, e não as partes em si. 


Os homens sentem tanto como as mulheres, apenas o expressam de forma distinta. 





Fontes Científicas:


  • Brown, B. (2012). Daring Greatly: How the Courage to Be Vulnerable Transformthe Way We Live, Love, Parent, and Lead. (A famosa investigadora de Stanford isolou nas suas entrevistas que as mulheres exercem uma pressão silenciosa e esmagadora sobre os parceiros para que nunca "desçam do cavalo". Nas palavras da autora, a maior parte das mulheres prefere ver o homem morrer no cavalo a vê-lo cair e mostrar-se fraco).

  • Stroud, L. R., et al. (2002). Sex differences in cortisol response to social rejection and achievement stress in humans. Biological Psychiatry. (Demonstra as reações biológicas distintas ao stress: mulheres respondem mais a ruturas sociais, enquanto homens são biologicamente condicionados a responder ao stress de desempenho e status, sabendo que o seu valor está indexado à sua utilidade e que a falha emocional compromete a sua atração).

  • Pollack, W. S. (1998) – Real Boys: Rescuing Our Sons from the Myths of Boyhood. (O conceito do "Boy Code" e a obrigação violenta de sufocar as emoções para simular independência precoce).

  • Vingerhoets, A. J. (2013) – Why Only Humans Weep. (A maior investigação global sobre as lágrimas e o custo social do choro masculino).

  • MacGeorge, E. L., et al. (2004) – The impact of gender role enforcement on lines of emotional support. (A falta de empatia e o isolamento que o homem enfrenta ao tentar procurar amparo).


  • Rutz, W., et al. (1995) – The Gotland Male Depression Scale. (A escala que provou que a depressão no homem se manifesta por raiva, agressividade e abuso de substâncias).

  • Cochran, S. V., & Rabinowitz, F. E. (2000) – Men and Depression. (A máscara somática e o refúgio no trabalho para manter a imagem de utilidade).

  • Stroud, L. R., Salovey, P., & Epel, E. S. (2002). Sex differences in cortisol response to social rejection and achievement stress in humans. Biological Psychiatry, 52(4), 319-327. (Demonstrou empiricamente que o sistema biológico masculino reage com picos severos de stress e cortisol perante ameaças de desempenho e status, evidenciando como a viabilidade do homem está indexada à sua utilidade e contenção sob pressão).

  • Buss, D. M. (1989 / 2016). The Evolution of Desire: Strategies of Human Mating. Basic Books. (Provou através de dados transculturais que as mulheres selecionam e mantêm parceiros com base em traços que sinalizam estabilidade emocional, controlo e capacidade de proteção, punindo a vulnerabilidade ou o colapso emocional do homem com a perda de atração sexual).

  • Brown, B. (2012). Daring Greatly: How the Courage to Be Vulnerable Transforms the Way We Live, Love, Parent, and Lead. Avery. (Isolou em investigações qualitativas que a maior vergonha do homem é ser visto como fraco pelas mulheres da sua vida, concluindo que a esmagadora maioria delas prefere ver o parceiro morrer em cima do cavalo a vê-lo cair e mostrar-se vulnerável).

  • Kimmel, M. S. (1994). Masculinity as Homophobia: Fear, Shame, and Silence in the Construction of Gender Identity. Feminism & Psychology, 4(1), 119-141. (Explicou como a masculinidade funciona como uma performance constantemente monitorizada e policiada por outros homens, onde qualquer fresta ou demonstração de fraqueza emocional é capitalizada por rivais para rebaixar o sujeito na hierarquia social).

  • Smiler, A. P. (2013). Limiting Boys’ Emotional Expressiveness: The Role of Peer Policing. Men and Masculinities.(Analisou a dinâmica de desenvolvimento em que rapazes, a partir da pré-adolescência, policiam ativamente a expressividade emocional do seu grupo através de rituais de humilhação e exclusão, forçando a adoção do silêncio como mecanismo de defesa).

  • Canetto, S. S., & Sakinofsky, I. (1998) – The Gender Paradox in Suicide. (O paradoxo de género no suicídio e a recusa do homem em pedir ajuda por ler o ato como a falência final da sua identidade).




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