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Chamar o Outro de "Tóxico" Virou o Disfarce Perfeito para a Vitimização Coletiva — O Mito da Toxicidade

Estou sinceramente cansado desta vitimização coletiva. Todos sofrem de relações tóxicas. Os parceiros são todos manipuladores, narcisistas e tóxicos. É tudo tóxico.

Existe uma apropriação indevida de termos clínicos sérios pelas massas que os distorcem de forma conveniente para justificar o seu egoísmo e a incapacidade de assumir a responsabilidade pelo insucesso das relações. Pior ainda do que a apropriação indevida de termos clínicos são as acusações infundadas de violência ou abuso. É um tópico delicado, mas que tem de ser debatido. Existem muitas vítimas de falsas acusações e as consequências práticas e céleres para quem as faz são, infelizmente, raras ou arquivadas, deixando o acusado com o fardo social da suspeita muito antes de qualquer trâmite judicial. Digo vítimas por serem alvo infundado de determinada acusação sem fundamento, porém não estou de forma alguma a isentar de responsabilidade essas vítimas. Sim, porque ser vítima de algo (dependendo desse algo) não implica que não exista responsabilidade em alguma medida, e que no futuro não consigamos melhorar e aprender com os infortúnios.

A utilização indevida dos termos tóxico, manipulador, gaslighting, narcisismo, psicopata, entre muitos outros, visa justificar as rupturas amorosas de forma conveniente. Um término de um relacionamento é uma perda e um processo de luto para ambas as partes. Esta ideia egocêntrica de as partes lutarem para ver quem sai por cima, como se isso mudasse seja o que for, é cómica. Por fim, as pessoas precisam de narrativas para justificar os infortúnios das suas vidas, dar um sentido ao seu sofrimento. O que não falta por aí são movimentos e teorias para arranjar responsáveis. Desde as questões económicas até às mais triviais socialmente.


O que afinal significa relacionamento tóxico?


No senso comum, e para as influencers por aí, qualquer relação com discussões, um leve levantar de voz, significa que estamos perante uma relação tóxica. Do ponto de vista clínico, tal não é o caso. Na vertente clínica, distinguimos uma relação disfuncional de abuso relacional. Sendo esta última o mais próximo de relacionamento tóxico.

Uma relação disfuncional define-se por uma dinâmica relacional onde ambos os membros do cônjuge apresentam falhas na comunicação, reatividade emocional e/ou estilos de vinculação incompatíveis. Observamos sofrimento e atrito, porém o poder é bidirecional, e não existe uma intenção de ferir psicologicamente o outro. Uma relação pode ter começado disfuncional e tornar-se funcional com terapia e regulação emocional de ambas as partes. Inclusivamente ao longo de uma relação o casal pode alternar entre fases mais funcionais e disfuncionais, sendo a comunicação fundamental para a coesão da união saudável.

Já o abuso relacional — ou vamos chamar-lhe de relação tóxica — é uma dinâmica categorizada por uma assimetria de poder absoluta, sistemática e crónica, onde um dos elementos utiliza comportamentos que visam controlar coercivamente o parceiro, isolá-lo socialmente, intimidá-lo e até podemos observar violência, seja a nível psicológico, físico ou financeiro, para comprometer a autonomia e a identidade do outro.


São, portanto, dinâmicas relacionais muito distintas. E a maioria das relações categorizadas pela sociedade como tóxicas são disfuncionais. Esta distinção sempre me foi clara ao longo dos meus relacionamentos. Nunca fui vítima de um relacionamento tóxico, porque nunca existiu um desalinhamento de poder absoluto como as definições clínicas implicam. Tive, sim, no entanto, dinâmicas bastante disfuncionais.


Para fins de narrativa e exemplo pessoal ao longo deste ensaio, vou focar-me na minha última relação. A relação com a, vamos apelidar de Alice, começou com uma dinâmica muito saudável e funcional. Existia respeito, compatibilidade de estilos vinculativos, paixão, comunicação ativa e todas aquelas coisas bonitas que uma relação saudável implica. No entanto, a Alice tinha um passado muito atribulado, entre traumas e contextos complexos de que nenhuma rapariga deveria ter sido vítima; vivia num ambiente familiar disfuncional e com algumas dinâmicas verdadeiramente tóxicas.

Passados 8 meses de relação funcional — claro, com os atritos naturais e saudáveis entre casal —, esta dinâmica disfuncional familiar que ela vivia começou a misturar-se e a injetar-se no nosso relacionamento. Por diversos motivos, tentaram ativamente sabotar a relação. E não sendo eu uma pessoa muito pacífica face a injustiças, não fiquei calado. Isto resultou na Alice no meio de um fogo cruzado. Onde por um lado amava o namorado, por outro era insuportável a pressão da família. Não apenas sobre a nossa relação, mas especialmente com diversos outros aspetos da sua vida.

A Alice começou a colapsar emocionalmente, emergindo de forma severa e incontrolável o Transtorno de Personalidade Borderline que trazia latente do seu passado, sendo apenas diagnosticado nesta altura devido à gravidade dos sintomas emergentes. Esta perturbação está pautada por uma profunda instabilidade afetiva que se expressa nos seus relacionamentos. Entre as suas manipulações, traições, tentativas de suicídio, episódios dissociativos, psicóticos, comportamentos de risco e autolesivos, e tudo o mais que o leitor pode imaginar, esta relação tornou-se gradualmente disfuncional.


É fácil olhar para esta descrição e apelidá-la de tóxica. Mas tal seria retirar de mim um peso que é meu carregar. Também fui responsável por esta dinâmica; alimentei-a e sustentei-a durante meses e meses. Houve diversos términos e recomeços. Mas eu decidi continuar e ficar na relação. Não por dependência, mas sim por escolha. A minha parceira estava doente, eu amava-a, e o amor real implica não ir embora, especialmente quando as coisas se complicam. Chegaram a perguntar-me como perdoei as traições. E a pergunta que fazia era a mesma: se o teu cônjuge desenvolver uma perturbação psiquiátrica severa que comprometa a regulação dos seus impulsos, vais abandoná-lo de imediato? Ficar nesta relação foi uma escolha que teve um enorme custo mental. Não estou a romantizar esta escolha, muito menos a elevá-la a um patamar nobre. Na altura, achei que estava a fazer o correto. Não implica que hoje não repensasse duas vezes esta decisão.


A relação acabou por terminar de vez, tendo existido diversos períodos após a fase aguda da sua doença onde existiu novamente uma dinâmica funcional. De qualquer das formas, ambos chegámos a um acordo, mais ou menos explícito, de que a relação não tinha qualquer futuro. Assim que a doença surgiu de forma severa, ficou claro para mim que ela não seria, um dia, a mãe dos meus filhos. Perdoar não significa esquecer, e existem coisas que corroem o futuro de um relacionamento.


Gaslighting, outro termo abusado nas redes sociais


Numa discussão entre casal, qualquer discordância entre relatos implica que um está a tentar fazer gaslighting ao outro. O gaslighting não é uma simples mentira. É uma forma de abuso psicológico sistemático e deliberado no qual o agressor manipula conscientemente a informação de forma a fazer com que a vítima questione a sua própria sanidade, memória, perceção da realidade e julgamento. Para haver gaslighting, tem de existir um padrão prolongado no tempo que resulte na erosão sistemática da autoestrutura da vítima, levando-a a uma dependência cognitiva total do abusador para validar o que é ou não real. Discordar sobre quem disse o quê numa discussão de sábado à noite é apenas um conflito de perspetivas.


Felizmente nunca fui alvo de gaslighting, como definido, mas já fui alvo de um comportamento isolado com essa estrutura por parte de uma colega de turma. A, apelidemos de Ana, e eu tínhamos uma relação platónica ao longo dos 3 anos que fomos colegas de turma. No entanto, existiram momentos em que esta barreira platónica foi quebrada e a relação aproximou-se de algo mais real. Cerca de 10 dias antes de irmos para a viagem de finalistas, em Praga, a Ana e eu partilhámos alguns momentos de vulnerabilidade e intimidade, onde provocações sexuais foram feitas, olhares, toques mais próximos e um conjunto de conversas mais íntimas. Após este tipo de períodos, a Ana costumava ausentar-se e ignorar-me, se necessário, vários dias seguidos. Não foi aqui a exceção. Apesar disso, dias antes de Praga voltou a estar mais próxima.


Quando chegámos a Praga, na primeira noite, havia bastante cordialidade entre mim e ela. No dia seguinte, achei-a bastante distante e estranha. Até que, no final do dia, cansei-me e disse à sua colega de quarto — uma amiga minha próxima nesta altura — para irem descansar pois o clima estava estranho no grupo. A Ana chamou-me ao seu quarto para ter uma conversa ensaiada, o clássico "tens uma ideia errada da relação", alegando que eu a objetificava, que apenas a desejava pelo seu corpo e que isso a fazia recordar os seus traumas; disse ainda que, cada vez que a tocava, se sentia desconfortável, até nos abraços.

Claro que aquilo foi uma distorção profunda da realidade. Ela soube exatamente o que dizer de forma a fazer-me questionar e pôr em causa aquilo que até então tinha percecionado como real. O irónico foi o facto de que, nem duas semanas após este episódio, estava a abraçar-me, a tocar-me e a expressar o quão importante eu era para a sua vida.


Quem é, afinal, narcisista?


Uma pessoa egoísta ou egocêntrica não é necessariamente uma pessoa narcisista. Até porque, se esse fosse o critério, seríamos todos. E se fôssemos todos, não seria ninguém. Patologia implica um desvio à norma que cause sofrimento para o próprio ou para quem o rodeia. Logo, esta definição comum é falsa. Qualquer ex-namorado que foi egoísta, vaidoso ou que terminou a relação sem dar explicações é sumariamente diagnosticado no Instagram como "narcisista". Vejamos então o que é ser narcisista.


A definição oficial (DSM-5-TR): o Transtorno de Personalidade Narcisista é um padrão invasivo de grandiosidade (em fantasia ou comportamento), necessidade extrema de admiração e falta patológica de empatia, que se manifesta no início da idade adulta e está presente em diversos contextos. Para alguém ser clinicamente um narcisista precisa de preencher pelo menos 5 dos 9 critérios:


  1. Sentimento grandioso da sua própria importância.

  2. Fantasias de sucesso ilimitado, poder, brilho ou beleza.

  3. Crença de que é "especial" e só pode ser compreendido por pessoas de alto estatuto.

  4. Exigência de admiração excessiva.

  5. Sentimento de exploração interpessoal (tira vantagem dos outros para atingir fins próprios).

  6. Ausência de empatia (relutância em identificar-se com os sentimentos alheios).

  7. Inveja frequente ou crença de que os outros o invejam.

  8. Comportamentos ou atitudes arrogantes e insolentes.


Além dos critérios, existe algo que se chama intensidade e regularidade desses determinados traços, o que já é uma métrica mais subjetiva que cabe à experiência do clínico determinar. Preencher a definição abstrata do critério não implica preencher o critério em si. Ao mesmo tempo, preencher 4 critérios, e não os 5, não implica que este indivíduo não tenha sintomas patológicos que necessitam de tratamento e acompanhamento.


O clássico "trigger", ou gatilho


A palavra "gatilho" passou a ser usada para descrever qualquer coisa que cause um leve desconforto, irritação ou que contrarie a opinião de alguém. E é usado constantemente como desculpa para não ter de lidar com determinado comportamento saudável do parceiro, com o qual apenas se discorda.


A definição técnica diz-nos que gatilho é um estímulo sensorial (um som, um cheiro, uma imagem, uma palavra) que está associado neurobiologicamente a uma experiência de ameaça severa à integridade física ou psicológica do passado. Quando o gatilho é ativado, a amígdala sequestra o córtex pré-frontal, induzindo o indivíduo a reviver a experiência em tempo real através de flashbacks, ataques de pânico ou desregulação fisiológica extrema (reação de sobrevivência de luta, fuga ou congelamento). Ficar ofendido ou chateado com um ensaio sobre psicologia (este ou outros) é apenas uma reação de dissonância cognitiva (desconforto psicológico ao lidar com crenças contrárias às que acreditamos ou vivemos).

Tendemos a chamar tudo de trauma, o que acaba por fazer com que as verdadeiras perturbações não sejam tratadas, ouvidas e compreendidas. Clinicamente, o trauma define-se pelo colapso das defesas biológicas do organismo perante um evento avassalador, e o impacto a longo prazo é a sua sintomatologia. Numa relação disfuncional, o sofrimento é real, mas não é necessariamente um trauma estrutural. Acho que o leitor já tem uma ideia do caos que foi a minha última relação, e de forma alguma a classifico como um trauma. Porém, para outra pessoa, um parceiro que em determinado momento da relação lhe gritou, por exemplo, essa experiência pode ser processada como tal. Não se trata apenas do que acontece na vida, mas sim da forma como o nosso cérebro interpreta e integra o que acontece.


Responsabilidade Afetiva: como se começássemos todos uma relação a saber o que queremos


Atualmente usa-se muito este conceito de responsabilidade afetiva, ou até de maturidade emocional nas relações, para exigir que o parceiro antecipe todas as suas inseguranças e nunca termine a relação ou mude de sentimentos, sob pena de ser classificado como "irresponsável" ou imaturo.


A responsabilidade afetiva traduz-se no dever de clareza, transparência e honestidade nas intenções comunicadas ao outro. Significa não enganar deliberadamente, não alimentar falsas expectativas de compromisso e comunicar o término de forma digna e explícita. A responsabilidade afetiva não é um seguro de vida emocional. Ninguém é obrigado a manter-se apaixonado, a querer um compromisso de longo prazo ou a anular as suas próprias necessidades para proteger o ego do parceiro de sofrer uma rejeição. A dor da rejeição é um facto biológico inevitável do mercado relacional, não um crime ético.

O clássico "tou traumatizado" após uma discussão virou sinónimo de uma memória desagradável ou de uma experiência frustrante. O trauma clínico exige a exposição a um evento que desorganiza o sistema nervoso central, alterando a estrutura de processamento da memória (o hipocampo falha em contextualizar o evento no passado, mantendo-o "ativo" no presente). Uma discussão acesa, um encontro que correu mal ou uma rutura amorosa dolorosa são eventos de vida stressantes ou adversos, mas não constituem, na esmagadora maioria dos casos, trauma clínico.


Nenhuma relação é um mar de rosas


Atritos e discussões são comuns numa relação. Ao contrário do que o senso comum acha, há muito que sabemos que não são os opostos que nos atraem, mas sim que procuramos o nosso reflexo. Apesar desse facto, as pessoas nunca são iguais, o que gera diferenças de personalidade e feitio.


O atrito e as discussões fazem parte de relações saudáveis. O problema não é, e nunca foi, a existência de discussões, mas sim a forma como o casal lida com estas. Sendo a comunicação ativa, a capacidade de escutar o parceiro e pensar como o parceiro, em vez de se projetar para ele, as formas funcionais de lidar com os conflitos. Discussões não são preditores de término; a incapacidade de lidar com as discussões, isso sim, é um preditor do término da relação. Desde o ambiente que vivi em casa para as minhas relações, este conceito da inexistência de discussões e de que estas significam necessariamente que a relação é tóxica foi algo que nunca encaixou na minha cabeça. Se no dia a dia já facilmente entramos em discussão uns com os outros — basta só perder 3 minutos na caixa de comentários de qualquer publicação mais controversa para observar este facto —, muito mais seria o caso numa relação onde existe uma partilha íntima de afetos e opiniões.

Muitas são as relações que falham por medo do compromisso. Não são poucas as dinâmicas relacionais que terminam pela autossabotagem do parceiro pelo pânico do compromisso. De forma a mascarar esse pânico, existe a projeção de responsabilidade para o outro parceiro através de acusações infundadas de "controlador". Normalmente observamos este fenómeno em indivíduos que relatam ter um histórico de relações caóticas. Existe um estilo de vinculação na infância com os progenitores ambivalente ou disfuncional que é perpetuado nas relações ao longo da vida. Porém, em vez de o indivíduo trabalhar as suas falhas e dores, escolhe ativamente projetar a responsabilidade em terceiros.

Todos procuramos vinculações saudáveis e funcionais, mas a verdade é que, na sua maioria, não as encontramos. Não encontramos porque não andamos realmente a procurar; procuramos o que vivemos em casa. E se o ambiente era disfuncional, iremos procurar vinculações disfuncionais, pois são estas que conhecemos e sabemos o que esperar. O desconhecido assusta. E, para muitas pessoas, as relações saudáveis e funcionais são o desconhecido. O que não falta são parceiros a sabotar relações saudáveis pelo pânico do desconhecido — mesmo que esse desconhecido lhes fizesse bem.


O mito da autoajuda crónica


Existe a ideia de que antes de entrarmos num relacionamento devemos estar 100% curados e resolvidos. Compreendo de onde essa narrativa vem, porém o que é isso de estar curado? Enquanto espécie, somos seres sociais que necessitam da interação com outras pessoas para sobreviver. A nossa personalidade é, em parte, baseada nas interações que temos com os outros. Existe um processo de cura individual? Claro. Mas uma grande parte desse processo de cura e crescimento faz-se dentro da relação.

Numa relação somos amados — o que apazigua qualquer sofrimento — e, por sua vez, amamos — o que quebra metade dos problemas de egoísmo que todos temos. Amar faz-nos ser pessoas humildes, na medida em que implica sacrifício e perda de controlo. Amar implica podermos ser magoados. E só através da existência dessa possibilidade é que conseguimos ser livres. Liberdade é cura, na medida em que não estamos agarrados ao passado nem em pânico com o futuro.


A autoajuda começa na procura de ajuda exterior. Se sentimos algo que nos está a causar sofrimento há demasiado tempo e não temos conseguido resolver sozinhos, devemos procurar ajuda clínica. Existem profissionais formados para o efeito. O primeiro passo é aceitar que temos um problema. O segundo é procurar a ajuda. O terceiro é ajudarmo-nos. E no terceiro passo é onde o cônjuge serve de apoio e suporte. O que é amar senão um processo de florescimento? Uma entrega total ao outro? Numa relação saudável essa entrega e sacrifício são recíprocos, o que equilibra a dinâmica.


O assumir da responsabilidade


O mundo não quer saber das nossas dores. Não quer saber porque é que sofremos ou se sofremos. Portanto, começar a assumir a responsabilidade pelas nossas ações é a via mais saudável e útil para crescer. Chega de culpar tudo e todos, encontrando narrativas ou grupos para responsabilizar pelos próprios erros e falhas. Talvez um dia encontre um parceiro que o ame. Talvez um dia consiga amar. Mas sem se amar, sem assumir a responsabilidade pelos infortúnios da sua vida, não vai a lado nenhum. E o melhor disto tudo é que não é a minha opinião, é um facto. Se não fizer nada, a vida faz por si. Se não assumir a responsabilidade pelo que lhe acontece, ninguém vai assumir por si, e as consequências vão continuar.

A maioria dos homens é violenta? Os dados não sustentam essa afirmação. Será a maioria que é violenta e “tóxica”, ou serão apenas os homens que escolhe e com quem se relaciona? Já parou para pensar por que razão, existindo homens decentes no mundo, acaba sempre com os não decentes? Já parou para pensar nesse padrão? Se acha que é azar, força nisso. Ou então comece a assumir a responsabilidade pelas suas escolhas, e pare para refletir e integrar o seu sofrimento; pode ser que assim consiga estar preparada para encontrar um homem decente e desenvolver uma relação saudável. Relações disfuncionais não se constroem sozinhas, partem da disfuncionalidade de ambas as partes. O mesmo se aplica para os homens e para essa narrativa de que as mulheres são todas interesseiras ou falsas. Mais uma vez, assuma a responsabilidade.


Fontes Científicas

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